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JAMAIS VOS CONHECI

Jamais vos conheci... Poucas frases provocam tanto arrepio e mal estar num cristão temente a Deus do que essa: Jamais vos conheci. Vivemos nossa vida de fé sempre querendo e tentando amealhar um saldo positivo para um dia, ao chegarmos à casa do Pai, descobrirmos que fomos amigos e parceiros de caminhada e, nada mais querido do que ouvir VINDE BENDITOS DO MEU PAI... Mas parece que essa busca por reconhecimento e salvação da mesma forma que preocupa as pessoas de fé, geram também um certo amortecimento em quase tudo que fazem com relação à sua vivência cristã. Explico: No texto que meditamos nesta quinta feira (Mt 7, 21- 29) Jesus está ensinando seus discípulos e discípulas a descontruir uma mentalidade de fé que gerava um comodismo nas pessoas: bastava que se usasse o nome de Deus e isso já seria a prova de que a pessoa de fato pensa, sente, fala e age em nome de Deus. Parece que não é tão simples assim... Não basta dizer Senhor Senhor... Não basta expulsa...

O MELHOR DE NÓS

Alguns ditos de Jesus são considerados enigmáticos. Para os estudiosos tanto podem ser uma orientação específica sobre alguma circunstância que a comunidade vivia, como podem um alerta sobre os perigos que rondavam o início da missão dos primeiros cristãos. Não sei se isso importa de fato. Mas é bom estar atento para que nossa leitura e interpretação não corra riscos de ser desencarnada da vida e da realidade. Hoje Jesus pede para não dar aos cães o que é santo e nem jogar pérolas aos porcos... Precisamos nos perguntar antes de mais nada: o que estava acontecendo na comunidade que poderia ter motivado esse dito? Em primeiro lugar tinha o confronto próprio da missão. Muitos rejeitavam e odiavam a ação dos cristãos chamando-os de traidores do povo pois haviam deixado sua religião mãe para seguir um pregador qualquer. Caso isso tenha motivado a fala de Jesus, poderíamos pensar: não tente convencer o outro de que você está certo ao buscar Deus por um outro caminho. De...

NÃO JULGUEIS

Quem participou da celebração DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA deve ter prestado atenção que no final do Evangelho proclamado se dizia que a língua de Zacarias se destravou e ele, para espanto de todos, pode voltar a falar. Nas missas em que presidi fiquei com uma sensação de que o silêncio de Zacarias era providencial. Ficar quieto ou aquietar o coração ajuda a gente a tomar consciência do que acontece conosco e ao nosso redor. Num tempo onde os "barulhos externos e internos" são grandes demais, esse silenciar pode ajudar a gente a se recompor. Hoje pela manhã ao meditar na oração o texto de Mt 7, 1- 5, me deparei com uma espécie de continuidade desse silenciar-se... Jesus está chamando a atenção para o poder do julgamento que muitas vezes toma conta de nós e nos coloca numa posição de hipocrisia. Não julgueis e não sereis julgados, diz o Senhor. O julgamento é sempre a ânsia arvorada que o indivíduo e ou grupo tem para, ao condenar, dizer-se melhor. C...

OLHEMOS

Então o conselho de Jesus é: NÃO VOS PREOCUPEIS COM O DIA DE AMANHÃ... Senhor, com todo o respeito que temos pela sua Palavra e pelo amor que lhe consagramos, preciso dizer: NÃO É FÁCIL... Sei que é bastante inspirador e cheio de beleza a ideia de não se preocupar com o que vestir e o que comer. Mas sabe, no capitalismo em que vivemos, fica praticamente impossível sentir-se livre dessas preocupações. Fico feliz quando o Senhor nos convida a contemplar os pássaros que não semeiam e nem colhem, mas sempre tem o que comer... Talvez no tempo em que essa Palavra foi dita ficaria mais fácil as pessoas sentirem-se integradas à natureza e à responsabilidade de cuidar uns dos outros. Mas hoje, se não conseguimos plantar e colher, precisamos ter com o que pagar e para ter esse bendito dinheiro, as nossas preocupações aumentam e só crescem... Que lindo os lírios do campo... Não fiam e ainda assim se vestem melhor que Salomão. Mas sabe, tudo ficou tão caro em nossos dias que ...

ENSINA-NOS DE NOVO

Não nos deixávamos falar o Teu nome. Santidade do Sagrado, impedidos de dizer o quanto o amamos. Veio teu Filho e com carinho e ternura nos ensinou a dizer PAI NOSSO. Pediu-nos para quando rezarmos que digamos palavras poucas mas com profundidade: Pai nosso que estai nos céus... Pão nosso de cada dia dai-nos hoje... Palavras que alimentam o corpo e a alma porque ao mesmo tempo que nos sentimos filhos/as nos sentimos chamados a ter o básico para a vida valer à pena. Rezamos com alegria quando na celebração somos convidados a levantar as mãos para o céu e dizemos com o coração cheio de esperança que o Teu reino pode vir a nós e nos livrar-nos do mal. Mas nosso barro é de posse. Nossa constituição é de controle. E passados anos desse aprendizado doce que Jesus nos deu, nos apropriamos do nome de Deus de novo e agora não mais usamos uma palavra impossível de se pronunciar mas sim, dizemos que Ele é só meu Pai. Enchemos a boca para dizer que Deus é meu ...

JÁ RECEBERAM A SUA RECOMPENSA

No Evangelho do 11 Domingo Comum, ouvimos Marcos contar que Jesus relatou duas parábolas que ajudariam seus ouvintes a entender e a perceber o que é o Reino de Deus. Já no final da perícope o evangelista diz que para os discípulos Jesus explicava tudo. Na verdade, a ideia é destacar as duas metodologias que Jesus usava para ensinar as coisas do Reino: para o povo mais simples dizia parábolas que facilitavam o entendimento da nova teologia que Jesus inaugurava. Mas para os discípulos precisava dizer coisas mais profundas e ajuda-los a compreender a extensão da boa nova que chegava e deveria gerar em todos um compromisso eficaz com o projeto de Jesus. Daí os dois movimentos: explicar e aprofundar... Por isso que nessa semana os evangelhos que estamos meditando está nesse contexto e com essa perspectiva: AJUDAR A COMUNIDADE DOS DISCÍPULOS DE JESUS (ONTEM E HOJE) A CONHECER A DINÂMICA DO REINO. Jesus hoje questiona diretamente a prática da comunidade que, muitas vezes emb...

BENDITA PALAVRA

Ontem fui bombardeado por algumas perguntas dos jovens que, preocupados com a sua condição de pessoas comprometidas com a busca da salvação, queriam saber sobre a condição de Lúcifer e dos malvados que rompem com a graça e portanto, em tese, deveriam ser condenados à perdição eterna. Confesso que temo em responder perguntas assim que já se apresentam viciadas porque de algum modo, quando elas são feitas, existe quase uma lógica dedutiva que já espera chegar numa resposta sabida anteriormente. E eu sou péssimo com esse tipo de argumentação onde tudo o que se fala é pra confirmar o que já se sabe. Prefiro sempre o caminho da dúvida, do questionamento, da busca de sentido e da preocupação em ampliar meu entendimento ainda que se chegue à conclusão que eu já sabia, mas o caminho da peregrinação intelectual é fundamental para mim e para minha fé. Por várias vezes tentei responder questionando...  Mas confesso que senti que não consegui ser claro o suficiente para despe...